CIÊNCIA CENTRAL

QUÍMICA DAS COISAS

Confira! A QUÍMICA está em realmente tudo! Conheça sobre os compostos químicos presentes nos alimentos, que podem ou não nos ajudar.

OS ELEMENTOS

Conheça mais sobre cada Elemento Químico, assim como suas propriedas físicas e químicas, suas utilizações e também curiosidades.

A MAIS BELA REAÇÃO DE PRECIPITADO

Com certeza, este será o precipitado mais bonito que se poderá ter nesses tipos de experimentos.

OPÇÕES DE CARREIRA

Confira as oportunidades que você terá quando formado na área de Química ou afins!

22 de jul. de 2014

Da Alquimia a Química

Transformação química: um domínio de longa data

    Ninguém sabe quem descobriu o fogo, mas podemos imaginar o sucesso que ele fez. Acredita-se que o domínio do fogo abriu o caminho da civilização, tendo sido a combustão uma das primeiras reações químicas experimentadas pelo ser humano.
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    As transformações químicas - transformações de uma substância em outra - sempre fascinaram a humanidade. A partir delas surgiram processos que ajudaram a melhorar a vida  no planeta: os metais, usados para a fabricação de todo tipo de utensílio há muitos séculos, são obtidos por meio de transformações feitas pela metalurgia,; os alimentos sofrem uma série de transformações por meio do cozimento; os processos de curtição das peles de animais transformam o couro para que ele possa ser utilizado em vestuário; ferramentas são empregadas desde os primórdios de nossa civilização; o tingimento de fibras envolve transformações que as fazem absorver as tintas que lhes conferem diferentes cores; os corantes são obtidos por processos que envolvem várias transformações, inclusive químicas.
    Os egípcios desenvolveram técnicas de extração de corantes de vegetais, e os fenícios, de extração de tintas de moluscos.
    Muitos outros desses processos foram desenvolvidos nas civilizações pré-históricas, como técnicas primitivas de transformação de materiais, as quais muitas vezes eram executadas como rituais religiosos ou de magia. Essas técnicas ritualísticas foram se somando a conhecimentos de diversos sábios, dando origem à alquimia.
    Acredita-se que a palavra "química" tenha se originado nessa época. Alguns consideram que ela teve origem na civilização egípcia, advinda da palavra khemeia, arte relacionada com mistérios, superstições, ocultismos e religião. Outra hipótese é que tenha surgido da palavra grega chyma, que significa fundir ou moldar coisas.

O tesouro dos Alquimistas

    A sabedoria alquímica surgiu em diversas civilizações, diferenciando-se pelas concepções de mundo de cada cultura. Assim surgiram a alquimia chinesa, a hindu, a egípcia, a árabe e a europeia desde a Antiguidade até a Idade Média. Em comum, todas desenvolveram técnicas arcaicas de transformação.
    A alquimia passou para a história por seus ideais inatingíveis: a busca de uma fórmula que poderia transformar metais em ouro, a chamada "transmutação", e de um elixir da longa vida, que permitiria a imortalidade. Embora nunca tenham sido alcançados pelos alquimistas, esses objetivos trouxeram ganhos bastante concretos: permitiram o desenvolvimento de aparelhos, técnicas laboratoriais e substâncias fundamentais para o desenvolvimento da ciência. Hoje não somos imortais, mas temos uma expectativa de vida cada vez maior, graças aos medicamentos descobertos pelos cientistas. E as conquistas tecnológicas obtidas pela sociedade trouxeram riqueza e melhor qualidade de vida para várias pessoas.

A teoria do flogístico

    Ao longo da Idade Média, os alquimistas alcançaram tamanho status que até membros da aristocracia quiseram fazer parte desse respeitado grupo de sábios. O grão-duque da Toscana, Francisco I, fez questão de ser retratado numa pintura de Giovanni Stradano como se estivesse trabalhando num laboratório de alquimia.
    Assim como a religião, a alquimia era fundamental em dogmas, ou seja, em crenças assumidas sem discussão. Para aceitar suas verdades preestabelecidas não era era necessário, portanto, fazer uso da experimentação sistemática. Com o Renascimento, no século XVI, essa maneira de pensar foi mudando e uma nova forma de buscar o conhecimento surgiu: a ciência experimental moderna.
    Essa mudança teve a contribuição de várias pessoas. O médico, filósofo e alquimista suíço Paracelso, Philipus Aureolus Theophrastus Bombast von Hohenheim (1493-1541), mesmo ainda ligado à alquimia, desenvolveu estudos que deram início à química médica (quimiatria). Vários outros estudiosos, entre os quais se destacava o físico e químico irlandês Robert Boyle (1627-1691), desenvolveram técnicas experimentais na produção metalúrgica e na preparação de diversos materiais.
    Todos esses estudos permitiram a elaboração de novas teorias, embora muitas ainda estivessem impregnadas dos velhos conceitos dos alquimistas. Uma das mais marcantes para a história da Química foi a teoria do flogístico, proposta pelo químico alemão Goerg Ernst Stahl (1660-1774). Em 1731, ele propôs uma teoria explicativa para a combustão: segundo ele, os corpos combustíveis teriam como constituinte um "elemento", denominado flogístico, o qual era liberado durante a queima. Essa teoria ficou muito famosa na década de 1750.
    Stahl afirmou que todo material perde algo no processo de queima. E batizou essa material perdido de flogístico, também denominado na época "espírito ígneo". De acordo com essa teoria, quando um metal era queimado, liberava o flogístico, restando o que eles chamavam de "cal" do metal. O flogístico era considerado um dos elementos constitutivos da matéria, que seria liberado toda vez que o material sofresse combustão ou calcinação (aquecimento em alta temperatura). Para transformar a "cal" em metal, bastava devolver o flogístico por intermédio do carvão. Esses processos poderiam ser explicados no esquema apresentado à seguir.
    Embora as explicações baseadas na teoria do flogístico fossem razoáveis, ela apresentava incongruências em relação à variação de massa. Mesmo assim, foi aceita durante certo tempo.
    No século XVIII, surgiram melhores explicações para a combustão. Antoine Laurent Lavouisier percebeu a importância do oxigênio para esse processo. A partir de experiências bem elaboradas e controladas, utilizando balanças de alta precisão (cujas sensibilidade e precisão poderiam rivalizar com algumas balanças modernas), ele mediu a variação de massa durante a combustão de diversas substâncias. Os resultados de seus experimentos demonstraram que havia conservação de massa durante as reações e permitiram que ele demonstrasse que a queima é uma reação com o oxigênio e que cal metálica da teoria do flogístico era, na verdade, uma nova substância.
    Lavoisier contribuiu de maneira significativa não só para derrubar a teoria do flogístico, mas para estabelecer um novo método de investigação que caracterizou o nascimento da química como Ciência experimental. O seu trabalho e o de outros químicos da época, como o escocês Joseph Black (1728-1799), contribuíram para demonstrar a necessidade do uso de balanças nos estudos da Química.

   A Química como Ciência Experimental

    Medir, pensar, testar, provar. Esse foi o novo jeito de fazer ciência no estudo da Química que nasceu a partir de trabalhos de Lavoisier. Foi uma das primeiras grandes mudanças de paradigma na história da Ciência. Paradigma é o padrão ou modelo que norteia nosso modo de viver, trabalhar, fazer ciência. E é pela mudança de paradigmas que a Ciência se desenvolve, segundo o filósofo alemão Thomas Kuhn (1922-1996). Essa mudança é chamada de Revolução Científica.
    Os historiadore divergem quanto ao período e aos fatos que marcaram a Revolução Química. Porém, muitos concordam que essa revolução culminou com a publicação do trabalho de Lavoisier, Traité élémentaire de Chimie (Tratado elementar da Química), em 1789.
    Podemos destacar vários fatores que caracterizaram a revolução no conhecimento químico.

  • aumento no uso preciso de métodos quantitativos (baseados em medidas de quantidade e não simplesmente de qualidade);
  • substituição da teoria do flogístico pela teoria da reação com oxigênio;
  • definição de elemento químico, substância e mistura;
  • estabelecimento de um novo sistema de nomenclatura química;
  • abandono da ideia de ar como elemento.

    As explicações que tinham certo caráter "mágico" foram cedendo lugar às explicações científicas, baseadas em experiências. Se considerarmos o trabalho de Lavoisier como o marco dessa revolução, a Química tem pouco mais de duzentos anos. É uma Ciência nova.
    Como vimos, a mudança no modo de estudar os processos químicos que determinou o surgimento da Química como ciência experimental é denominada pelos historiadores de Revolução Química. Essa revolução ocorreu quando os químicos passaram a ter um método característico de investigação, uma linguagem própria e um sistema lógico de teorias para explicar seus processos.
    O contexto histórico daquela época, caracterizado por profundas mudanças culturais e sociais como a Revolução industrial e a Revolução Francesa, contribuiu para o estabelecimento da Química como Ciência. Os iluministas defendiam novas formas de compreender o Universo, por novos métodos, como os usados por Lavoisier. E a Revolução Industrial fez com que muitas pesquisas científicas fossem financiadas para desenvolver novas tecnologias. Isso contribuiu para que uma comunidade de pesquisadores começasse a adotar uma série de atitudes que caracterizaram o trabalho científico.
    Uma outra característica que sempre esteve presente nessa comunidade é o crédito na descoberta científica. A descoberta do oxigênio, por exemplo, foi reivindicada por três químicos: o sueco Carl Wilhelm Scheele (1742-1786), que gerou tal gás etnre os anos de 1770 e 1773; o inglês Joseph Priestley (1733-1804), que preparou o gás em 1774, provavelmente sem conhecer o trabalho de Scheele; e o francês Lavoisier, que explicou a combustão pelo oxigênio.

Química: A Ciência Central - 9ª ed.


Esta obra traz uma nova maneira de aprender química, que desmistifica o tema ao aproximá-lo da realidade do cotidiano e ao oferecer ferramentas de aplicação eficientes. É indicada para todos os estudantes de química geral, não só em cursos de química, mas também de física, engenharia e ciências biomédicas. 

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Todas as moléculas de água são idênticas?


Antonie Laurent Lavoisier




Os elementos - ARGÔNIO (Ar)





Nesta edição:  É preguiçoso, é de difícil manejo, é incolor e colorido - este é argônio!"

    O nome de argônio vem das palavra grega "argos", que significa preguiçoso e, de fato, mesmo após 100 anos após a sua descoberta, químicos ainda eram incapazes de combiná-lo com qualquer outro elemento. Em seguida, no ano de 2000, os químicos da Universidade de Helsinki, liderada por Markku Räsänen, anunciou o primeiro composto de argônio - fluoridreto de argônio (HArF) - feito por condensação de uma mistura de argônio e fluoreto de hidrogênio em uma superfície de iodeto de césio a uma temperatura de -265 ºC, exposto à luz UV (UltraVioleta). Nenhum outro processo tem induzido o argônio a reagir, incluindo altas temperaturas, descargas elétricas, ou radiação ionizante.

A descoberta da possibilidade

    Existem 50 trilhões de toneladas de argônio na atmosfera da Terra, que foi construído lentamente ao longo de bilhões de anos. Quase todo este Ar veio do decaimento do isótopo radioativo de potássio-40, que tem uma meia-vida de 12,7 bilhões de anos. Apesar do argônio compor 0,93% da atmosfera, o gás permaneceu desconhecido até 1894, quando o físico Lord Rayleigh (1842-1919) e o químico William Ramsay (1852-1916) o identificou. Em 1904 Rayleigh ganhou o prêmio Nobel de Física e Ramsay ganhou o Prêmio Nobel de Química por seu trabalho sobre a descoberta do argônio.
    A história da sua descoberta começou quando Rayleigh descobriu que o nitrogênio extraído do ar tinha uma densidade mais alta (1.257 g dm-3) ​​do que o nitrogênio feito pela decomposição da amônia (1,251 g dm-3)​​. A diferença foi pequena, mas real. Ramsay escreveu ao Rayleigh sugerindo que ele iria olhar para um gás mais pesado que o nitrogênio obtido a partir do ar, enquanto Rayleigh deveria procurar um gás mais leve a partir da amônia. Ramsay removeu todo o nitrogênio de sua amostra, passando-a várias vezes ao longo de magnésio aquecido para formar o nitreto de magnésio. Ele ficou com 1% que não iria reagir e que era mais denso do que o nitrogênio (1,784 g dm-3). O espectro atômico deste "1%"mostrou novas linhas vermelha e verde, confirmando que se tratava de um novo elemento.
    Na verdade, o argônio tinha sido isolado anteriormente em 1785 em Clapham, sul de Londres, por Henry Cavendish. Ele passou faíscas elétricas através do ar e absorveu os gases que formaram, mas ele estava confuso que não permaneceu 1% de não reatividade. Cavendish não sabia que ele tinha tropeçado em um novo elemento gasoso.


Empregos do Argônio

    O argônio (Ar) é utilizado na produção de aço onde é soprado através do ferro fundido, juntamente com oxigênio. O argônio faz a agitação enquanto o oxigênio remove o carbono no dióxido de carbono. O argônio é também utilizado para excluir o ar para evitar a oxidação de metais quentes, em soldagens de alumínio e na produção de titânio. Os elementos combustíveis da Energia Atômica são protegidas com uma atmosfera de argônio durante a refinação e reprocessamento, e os pós metálicos ultra-finos necessários para fazer ligas são produzidos por direcionamento de um jato de argônio líquido de um jato de metal fundido.
    Algumas fundições,  com o objetivo de impedir que as poeiras tóxicas de alguns metais escapem para o meio ambiente, é feita uma ventilação através de uma tocha de plasma de argônio. Neste, os átomos de argônio são eletricamente carregadas para atingir temperaturas de 10.000 ºC e as partículas de poeira tóxicas que passam por ali são transformados numa bolha de sucata fundida.
    Mesmo para um gás que é quimicamente preguiçoso, o argônio provou-se ser eminentemente empregável​. Letreiros luminosos azuis geralmente contêm argônio e, se for um azul brilhante, com certeza também há um pouco de vapor de mercúrio presente. Vidros duplos são ainda mais eficazes se a diferença entre as duas vidraças de vidro é preenchido com argônio , em vez de apenas o ar, porque o argônio é um condutor pobre de calor. A condutividade térmica de argônio à temperatura ambiente (300 K) é 17.72mW m-1K-1 (miliWatts por metro por grau), enquanto que o ar é 26MW m-1K-1. Pela mesma razão o argônio é utilizado para insuflar fatos de mergulho. Documentos antigos e outros artefatos que são suscetíveis à oxidação podem ser protegido se armazená-los em uma atmosfera de argônio. Lasers de argônio azuis são usadas em cirurgias para soldar artérias, destruir tumores e corrigir defeitos oculares.
    O uso mais exótico do argônio está nos pneus de carros de luxo. O gás não só protege a borracha do ataque do oxigênio, mas ele também garante menos ruído dos pneus quando o carro está se movendo em alta velocidade.

Características Químicas e Físicas 

Fonte da Tabela: Oxigênio Brasil
Características físicas: Incolor, inodoro, extremamente frio em fase líquida, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP) apresenta-se na fase gasosa.
Características químicas: Inerte, não inflamável, não tóxico, não corrosivo.
Pureza mínima: 99,995% (fase líquida)
Nº da ONU 1951 (fase líquida)
1006 (fase gasosa)
Classe de risco: Gás não inflamável, altamente refrigerado (fase líquida),
gás não inflamável (fase gasosa)

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